Os bandos e os malandros
A ACAPOR, entidade representante de mais de duas centenas de estabelecimentos de Aluguer de Videogramas em Portugal, protestou durante 24 horas em representação das 800 lojas e 2400 postos de trabalho que desapareceram como uma consequência da pirataria.
Tentei em primeira instância, encontrar o estudo ou algum documento que pudesse comprovar o mote desta iniciativa, não encontrei, torna-se portanto esquisito atribuir uma causa efeito na base do só porque sim.
Penso que ninguém da ACAPOR continua a afiar facas nos amoladores (aqueles senhores, que antes passavam numa bicicleta a tocar flauta), no entanto, eu não me lembro de ver os quase extintos amoladores a chorar porque mundo evoluiu e a sua profissão ficou condenada.
A ACAPOR conhecerá com certeza, serviços de Video-on-Demand, a PT a ZON e a Optimus Clix entre outros, disponibilizam-nos, no entanto a ACAPOR não se queixa deles, eles também “roubaram” clientes a essas supostas 800 lojas, mas como no meio existem interesses legítimos e comuns, torna-se portanto mais fácil apontar o canhão para outra costa, é no mínimo falta de seriedade na discussão do tema e é por estes e outros motivos que ninguém vos liga nenhuma.
Eu não defendo a pirataria, muito sinceramente acho justo que as pessoas paguem por aquilo que usam, mas existe uma diferença substancial entre comprar e ser roubado.
O maior problema da caça às bruxas, é que enquanto muitos perdem tempo a tentar manter um modelo altamente lucrativo e ganancioso, outros conseguem lucrar ilicitamente num modelo mais justo e funcional.
Na realidade pasma-me o vosso modelo económico, em qualquer economia regular os preços fluem perante a procura e a oferta, mais procura traduz-se regularmente em preços mais elevados, menos procura que equivale a mais oferta, traduz habitualmente preços mais baixos.
Já o sector audiovisual acha que não deve ser assim e apesar de nos explicarem constantemente que têm menos procura e cada vez mais oferta, os vossos preços mantêm-se praticamente os mesmos, o que não deixa de ser extraordinário.
As pessoas não fazem pirataria porque é porreiro, a pirataria existe porque vossos produtos são extremamente caros, cheios de armadilhas e sem valor acrescentado, mais, a pirataria irá estar sempre uma passo à vossa frente tanto a nível tecnológico com ideológico, porque ao contrário do vosso meio, ela não trata os seus clientes como criminosos, é que mais vale pagar a um pirata e ser livre, do que ser assaltado por uma editora para ser correcto.
Publicado a 22 de Janeiro de 2010, em: InfoTec, Portugal
Etiquetas: acapor, downloads, dvd, pirataria, protesto
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